O tempo passa, mas como já alguém me disse, o tempo não é igual para todos nós, e à medida de que vamos crescendo, acabamos por definir pessoas na nossa vida. Sempre procurei defenir-me a mim mesma como primeira pessoa, a primeira a estar sempre presente, a ultima a desiludir-me, hoje não sei se foi em vão a minha primeira escolha ( dizem que nem sempre tomamos as opções correctas não é verdade? ), talvez me tenha desiludido a mim mesma mais depressa do que alguém o fez, deixei de me olhar ao espelho e ver alguém que dava tudo o que tinha a qualquer pessoa que precisa-se para ver alguém egoísta que em certo ponto só pense em si ( a vida por vezes obriga-nos a mudar, dizem os outros ). Deixei de ver alguém que tinha um sorriso para um dia inteiro e mais um para dar sempre que alguém precisa-se para ver alguém que leva um dia na dúvida e esforça-se para que pareca ser feliz. Deixei de ver alguém que não se importava com o que os outros diziam para ver alguém que bate fundo por algo que ouve na sua própria cabeça questionar. Passei a conhecer alguém que tem medo de avançar e colocar o pé em falso ( dizem que aprendemos com os erros?! Começo achar que nos fazem ter medo ), que tem medo de ficar e ver os outros a passar, alguém que não sabe bem se quer ir ou se quer ficar, alguém que se achou grande e deitou tudo para trás das costas, alguém que deixou destruir-se tudo para poder recomeçar do zero e mudar o que pensa ser mal feito. ( por vezes não mudamos como idealizámos, porquê? ) A verdade é que as circunstâncias da vida nos fazem optar por umas coisas, ou por outras, fazem-nos dizer isto ou aquilo, e sem bem sabermos porquê. Acabo por fingir um sorriso em cada sitio e esconder uma lágrima em cada canto, brincar como quem não tem problemas e chorar como quem não sabe quem é. Já fui o que algum dia serei, mas e hoje o que sou? Amanhã serei o que já fui, mas por hoje eu não sei.